Cooperação Voluntária e Competição de Valores

Durante os últimos séculos têm se vindo a discutir a natureza do homem de um ponto de vista filosófico. Uns defendem que o ser humano nasce mau, outros defendem que o ser humano nasce bom e que a sociedade é que o corrompe. Há quem defenda ainda que o ser humano seja uma tábua rasa.

A minha perspetiva é um bocado indiferente de qualquer uma destas ideias embora possa ser comparada á última. O Homem é um ser que responde a estímulos. Baseio-me num axioma da economia e ação humana para explicar a minha perspetiva: os indivíduos procuram satisfazer as suas necessidades e o ser humano procura o seu bem embora cada individuo tenha a sua definição de necessidades e cada ser humano tenha a sua definição de o seu bem ou até me atreva a dizer, a sua felicidade. E para tal, cada individuo responde a estímulos de forma a satisfazer, ou a tentar satisfazer, as suas necessidades e a procurar o seu bem-estar ou, embora relativo, felicidade.

Acontece que, se o Homem se rege por estímulos de forma a satisfazer as suas necessidades e se estes mesmos estímulos dão incentivos para o Homem ser mau, corrupto, para cometer fraude, roubo, fugir às regras, ele vai ser mau, corrupto, fraudulento… E contrariamente á concepção Marxista, ou qualquer outra totalitária e positivista que defende que é preciso regular o ser humano, que é mau, ou que é bom mas corrompido pela sociedade, até que o homem se torne bom e a necessidade do Estado deixe de existir (Comunismo) ou até um equilíbrio moral perfeito, eu, defendendo a liberdade e a igualdade enquanto seres humanos, racionais e donos do seu corpo e responsáveis sobre ele, vejo nesta ideia, de um contrato social coercivo (Que como a própria obra demonstra exige um first agreement, sem contar com o facto de que consentimento não é algo hereditário, pois os nossos filhos são também, seres humanos) ou um Estado que procure regular a sociedade, como um estímulo á maldade, á corrupção, á desigualdade na medida em que o Homem procura esconder-se neste contrato para se proteger, para achar atalhos, ou para eliminar os seus inimigos… Se os homens são todos iguais enquanto indivíduos e seres humanos racionais, o facto de haver um núcleo mais forte que procure regular a sociedade de forma coerciva serve de estimulo ao homem ser mau, pois o meio da corrupção, da fraude torna-se mais fácil e mais acessível do que simplesmente o homem ser bom e honesto. O homem esconde-se entre estas entranhas para procurar atalhos ou vantagens e as vísceras deste contrato coercivo integram-se aos poucos na cabeça dos Homens, que o vai achando legitimo mesmo que não tenha fundamentação ética. Mas quais os estímulos que levam o homem a ser bom? Se somos todos iguais enquanto indivíduos e enquanto seres humanos racionais isso significa que todos os Homens procuram satisfazer as suas necessidades de forma a alcançarem o seu bem, e o facto de todos os homens procurarem o seu bem implica a colaboração entre dois ou mais Homens para que ambos consigam alcançar o melhor para ambos. A cooperação voluntária foi o que fez com que os Homens se unissem para procurarem o seu bem e foi assim que surgiu o termo propriedade e as relações á volta desta que moldaram a sociedade como hoje a conhecemos. Foi também a cooperação e o conceito de propriedade que fez o homem deixar de ser um ser nómada e se estabilizasse em torno da sua propriedade pois ele agora conseguia estabilidade suficiente para satisfazer as suas necessidades mais básicas (fisiológicas e de segurança) para se começar a focar em outras. Cada sociedade tem necessidades diferentes influenciadas pelas pessoas que se uniram e pelas necessidades iniciais que tinham e que moldaram a cultura e valores dessa sociedade (tal como as condições externas, climáticas, geográficas, entre outras que moldam as pessoas que tem de se adaptar a esta). E há medida que a sociedade vai evoluindo através da cooperação social e voluntária. E as necessidades vão aumentando e subindo na pirâmide de Maslow á medida que as necessidades mais rasas se vão resolvendo. Os recursos são escassos e as necessidades ilimitadas e como os recursos são escassos a cooperação voluntária permite com que as necessidades mais prementes sejam resolvidas primeiro e só depois as outras, menos importantes. Qualquer contrato ou regulação que impeça a cooperação voluntária criará, por definição, um saciamento ineficiente das necessidades e por consequente, a ineficiência em fazer o bem. A verdade inevitável é que o ser humano é um ser egoísta, mas isso não significa que o Homem seja mau. Como já tinha concluído, as necessidades são ilimitadas e á medida que vão sendo resolvidas, vão aparecendo mais e em degraus superiores nas pirâmides de Maslow. E após as necessidades fisiológicas e de segurança surgem necessidades sociais, de estima e de auto realização que atingem a razão de ser do Homem. Hoje em dia é visto como algo de errado o ser humano lucrar em fazer o bem. Mas sem benefício egoísta, mais não seja um dever moral, o ser humano não fará nada que não satisfaça as suas necessidades pelo simples motivo de que não há estímulos para tal. Coletivos forçados e coercivos rejeitam a natureza do ser humano, eliminando os estímulos para fazer o bem e criando atalhos para fazer o mal, levando a uma degradação moral e ética. Mesmo que Coletivos coercivos não funcionam porque rejeitam a natureza do ser humano, elimina os estímulos para fazer o bem e cria atalhos para fazer o mal: degradação moral. Mesmo que Marx não tivesse falado sobre a ideologia de Género, iria eventualmente levar a uma deturpação moral, porque elimina-se o propósito do ser humano, tornando-o um animal, que responde apenas às necessidades mais básicas. Fazer o bem deixa de fazer sentido e por consequente perde todo o sentido pois fazer o mal satisfaz as necessidades básicas de forma mais eficiente.

O Estado surge, de forma rudimentar, como forma de promover o primeiro dos três fins do Estado designados pela Ciência Política (Lara, Ordem e Subversão) a Segurança, que surgiu sendo uma garantia do sistema feudal.

Isto acontece numa fase de conflito fase em que a sociedade vê abdicar de necessidades superiores para conseguir obter segurança. A sociedade abdica da sua liberdade, no geral, em troca de proteção dos feudos.

Surgem assim pessoas que saciam esta necessidade em troca de submissão, a maioria destes contratos eram vitalícios e passariam de geração em geração (O que só por si constitui um contrato inválido pois consentimento não é transmitido hereditariamente) eram os designados de Benefícios. Foi assim também que surgiram os Préstamos, Benfeitorias, a troco da sua proteção. Para acrescentar a isto surge a Teoria do Bandido Estácionário, baseada numa análise histórica dos acontecimentos da formação do Estado que vêm contrariar a teoria metafórica usada pelo Contrato Social. Está teoria histórico-factual foi elaborada por Mancur Olson, um influentíssimo cientista político do século XX, que descreve a história da formação dos Estados a partir de conflitos de grupos primitivos que, a uma certa altura os caçadores perceberam que em vez de andarem a saltar de grupo em grupo, seria mais produtivo criar um método de escravidão mais leve mas mais sustentável ao longo do tempo. (Para ler mais: https://www.institutoliberal.org.br/blog/economia/a-origem-do-estado-contrato-social-x-bandido-estacionario/)

O Homem é um ser egoísta e inerentemente social pois precisa de outros Homens para satisfazer as suas necessidades através da cooperação voluntária, os recursos são escassos e as necessidades ilimitadas o que faz com que apenas esta cooperação seja possível para uma resolução eficiente e progressiva das necessidades que vão subindo á medida que as necessidades mais rasas vão sendo resolvidas. Qualquer geringonça que permita um atalho, uma vantagem perante a condição que todos partilhamos enquanto seres humanos dotados dos mesmos direitos leva inevitavelmente, não só a ineficiência em resolver as necessidades da sociedade, como á corrupção do Homem que distorce os seus valores, pois os estímulos levam no a fazer o mal na medida em que esse é o caminho mais fácil e o que se sobrepõem aos caminhos honestos e mais árduos. Uma sociedade livre, onde as pessoas cooperam livremente de forma a satisfazerem as suas necessidades é a única meia compatível com a prossecução do bem. Esta forma de organização é também conhecida como capitalismo de livre mercado.