Uma defesa lógica do Anarcocapitalismo

Hoje em dia, podemos dizer que o libertarianismo ainda é um movimento relativamente pequeno. As teorias idealizadas por Mises, Rothbard, Hoppe e Lew Rockwell ainda não se espalharam o suficiente pela sociedade em comparação às demais. Geralmente somos chamados de loucos ou idiotas por apoiar algo que é tão recente, mas tão antigo mesmo tempo. Independentemente de sermos muitos ou poucos, não quer dizer nada, tanto utilitariamente, como eticamente. Este artigo pretende mostrar exatamente isto, através de deduções lógicas e racionais vamos provar quão o mercado é mais eficiente que o estado na criação de riqueza, e ainda, o quanto o estado é um agente anti-ético. Em primeiro lugar vamos estabelecer aqui uma coisa, o verdadeiro libertarianismo é o anarcocapitalista, este “libertarianismo minarquista” seria o mesmo que socialismo mínimo ou uma social-democracia contida na prática, é ilógico dizer-se libertário e ser minarquista, uma vez que libertarianismo é a crença que agressão não é tolerável. Tendo isto em consideração, a própria existência do estado já é agressão, pois ele necessita extorquir parte dos nossos bens de forma coercitiva através de impostos. Mesmo que precisasse de retirar apenas 1% dos nossos rendimentos de forma coercitiva, já seria considerado roubo e como consequência agressão.

Argumento utilitário

A própria teoria dos liberais acharem que socialismo não funciona, pois concentra e confia no estado todos os seus meios de produção é correta, mas as suas reflexões sobre este argumento não tem lógica nenhuma. Para eles, o estado é incompetente para produzir carros e computadores, mas milagrosamente ele vai saber administrar saúde, educação e segurança e também vai saber produzir leis para um bom funcionamento da sociedade. Na verdade o anarcocapitalismo tem uma estrutura mais lógica a nível de pensamento, e diz que o estado é incompetente na gestão de tudo e portanto deve acabar pois é um agente inútil e destruidor de riqueza. Para além desta contradição podemos sempre invocar o “problema do cálculo económico” de Ludwig Von Mises. Para entendermos melhor o “problema do cálculo económico”, vamos perceber o raciocínio de Mises… No socialismo não há propriedade privada, se não há propriedade privada, não há mercado, se não há mercado, não há preços formados pelos mecanismos do mercado, se não há preços formados pelo livre mercado, não há cálculo económico e assim fica impossível de estabelecer um preço real através do estado. Imaginemos que um empresário quer produzir botas, ele tenderá a produzir na zona onde os preços estão mais altos, pois terá mais lucro. Se os preços estão altos quer dizer que a procura supera a oferta, logo, sem necessitar deste conhecimento ele vai tomar uma decisão racional e correta, os preços consequentemente irão baixar pois a oferta aumentou, conclusão, podemos dizer que os agentes económicos se deslocam através da escassez e preenchem espaços vazios no mercado. Com este esquema simples conseguimos perceber que os preços permitem uma alocação de recursos racional e não só. Se trocarmos as botas por saúde ou qualquer outra coisa como estradas, segurança, etc, conseguimos perceber que somente a iniciativa privada funciona na alocação e na troca de bens, pois eles funcionam através de preços transmissores de informação e o estado não, temos o exemplo de Portugal, a saúde que se encontra monopolizada nas mãos do estado, não funciona, acabando com filas de espera que podem levar anos para todos os utentes do SNS. Em estradas e meios de comunicação, conseguimos perceber a diferença do litoral para o interior do país, consequência do centralismo adoptado pelo sistema político português.
Como já falamos lá em cima, a existência do estado depende única e exclusivamente da cobrança de impostos, vamos agora raciocinar o porque de impostos serem anti-económicos. Para a formação de bens de ordem cada vez mais elevada numa economia, ou seja, mais indiretos é necessário que haja poupança, logo as pessoas precisam de acumular capital, se existe mais poupança permite que os bancos tenham maior oferta monetária e baixem a taxa de juros, a taxa de juros baixa permite que bens que necessitam mais tempos para a sua produção, ou seja mais indiretos, se tornem mais bem vistos por parte dos empreendedores, logo, consequentemente invistam na sua produção e desta forma existir um aumento na produção de bens de capital, consequentemente maior riqueza para a sociedade. Se existem impostos, faz com que a poupança diminua, consequentemente a taxa de juros aumenta e a economia cresce menos do que iria crescer se esses impostos não existissem, até podemos ir mais além, como a poupança diminui, com o objetivo de estimular a economia, o governo imprime mais papel moeda injetando-o no mercado, as taxas de juros baixam artificialmente, mas existe um problema, a taxa de juros coordena a oferta e a procura, se ela baixar artificialmente, ela provoca uma descoordenação no mercado entre oferta e procura, provocando uma recessão económica no futuro, se formos pela teoria austríaca dos ciclos económicos.

Argumentos éticos

Antes de mais, eu queria dizer que eu sou um libertário porque acredito em princípios éticos e não em meros argumentos utilitaristas. Hoje as pessoas ainda abraçam o estado e vêem a democracia se fosse algo correto no ponto de vista ético. Nós como libertários, principalmente paleolibertários, tentamos combater esta visão a todo o custo. Muita gente se diz libertária porque acreditam que o mercado é a forma mais eficiente possível na produção e na alocação de recursos, mas, o que de facto significa ser libertário? Podemos considerar David Friedman um libertário? Não, um libertário acredita que o indivíduo tem o direito à propriedade privada e à autopropriedade, afinal, nós somos donos exclusivos do nosso corpo, do que ele produz e do que trocamos voluntariamente com outras pessoas, logo, um libertário defende a ética da propriedade privada e que nenhuma agressão a auto propriedade ou propriedade privada é tolerável, logo nós conseguimos deduzir a priori que imposto é uma ameaça à propriedade privada de um indivíduo, uma vez que é obrigatório e caso não o pagues o estado ameaça-te com agressão, prendendo-te ou punindo-te seriamente, logo imposto é roubo e o estado é um bando de criminoso parasitas, a burocracia imposta pelo estado também é uma agressão uma vez que é um controlo da nossa propriedade privada, logo o estado não é uma instituição que preza pelos mais necessitado mas sim um agente coercitivo que tem que ser desmantelado.
Podemos falar também na democracia, que é vista com bons olhos por grande parte das pessoas. Ela não é mais do que uma ditadura da maioria, afinal é a sobreposição das ideias da maioria sobre uma minoria indefesa que estamos a dar às pessoas a oportunidade de sobrepor os seus estilos de vida em relação aos restantes membros da sociedade.

Nota da edição: O autor deste artigo não é anarco-capitalista, dai este artigo encontrar-se em modo de arquivo, mas na altura que era fez este artigo em defesa do mesmo, irá continuar publicado de forma pública para uso de discussão.