ObamaGate

Aqueles que não estiveram desatentos nos últimos saberão certamente do caso do envolvimento Russo nas eleições americanas. O relatório do Mueller não mostrou nenhuma evidência de conluio com a Rússia, e o próprio referiu na conferência de imprensa que não há qualquer motivo para acreditar que a campanha de Donald Trump usou o governo russo. 

Hoje temos como facto, ainda que pouco divulgado (nada em portugal), que a administração Obama espiou a campanha de Donald Trump através de um Dossiê falso. Este Dossiê foi feito por uma fonte do FBI, Christopher Steele, que tinha relatado que Carter W. Page, um dos homens fortes da campanha de Donald Trump, se teria reunido com vários oficiais russos, incluindo uma reunião com Igor Diveykin para discutir “material prejudicial” da Hillary Clinton. Tal reunião não foi confirmada no relatório do Mueller. Com este dossiê a FISA teve permissão para espiar Cage até pelo menos o início de 2017, uma vez que este foi questionado com mensagens entre Cage e Steve Bannon, então conselheiro de Trump. O FBI chegou a notar que o Steele parecia ter sido contratado por alguém, mas ainda assim não achou suficiente para parar a investigação. De notar que pontos essenciais desse dossiê foram questionados pelo relatório do Mueller e o dossiê descartado. Estes são alguns pontos essenciais anteriores ao ObamaGate, mas no que consiste ao certo as acusações de Donald Trump? Alguns canais de televisão fingem não saber, e escondem ao máximo essa informação. 

Vários altos representantes da administração Obama, incluindo o ex VP Joe Biden, foram implicados no “unmasking” ilegal de Michael Flynn. Michael Flynn era o conselheiro. Muitos se devem perguntar o que é “unmasking”, desmascarar. Por vezes o governo americano espiona em certos estrangeiros que considera de relevância. Por vezes, nessas conversas, aparecem cidadãos americanos, eles são “mascarados”, porque é o seu direito à privacidade. A NSA pode pedir o nome dessas pessoas no caso em que eles sejam implicados em alguma conspiração, mas raramente (nunca até então em período de eleições) isso vai ser pedido por pessoas de alto escalão, e é isso que está em causa…

Há muitos factos por explicar e que à primeira vista parecem bastante incriminatórios para a administração Obama. Comecemos pelas palavras de Susan Rice, embaixadora da ONU, uma mulher que sempre se manteve apesar de tudo um pouco nas sombras. Os senadores que hoje conduzem a investigação analisam um email que Susan Rice enviou para si própria, a relatar os acontecimentos de uma reunião com Barack Obama, a discutir o General Michael Flynn.

“O presidente Obama começou a conversa por falar do seu continuado comprometimento em assegurar que cada aspecto deste assunto é tratado pela inteligência e pela aplicação da lei “como manda o livro”” referindo-se à chamada do general Flynn com o embaixador russo” referindo-se à chamada do general Flynn com o embaixador russo

O Obama “quer ter a certeza que, quando comunicarmos com a próxima equipa, estaremos atentos para verificar se há alguma razão pela qual não podermos partilhar informação completa no que toca à Rússia”

Há certamente algumas questões por explicar. Primeiro, porque razão a administração Obama achou necessário não dar informações sobre a Rússia à administração Trump? Segundo, com que direito uma administração não partilharia qualquer informação de estado com a próxima administração? Rice ainda acrescentou

 “O presidente pediu ao director ao Comey (diretor do FBI) para que o informasse caso algo mudasse nas próximas semanas que poderia afetar como nós partilharemos informações com a próxima equipa. Comey disse que assim faria”

Depois do briefing, Obama pediu que Sally Yates e Comey ficassem para trás porque ele “sabia de informações sobre o Flynn”

O que realmente significam estas afirmações de Barack Obama? É muito estranho, e até certo ponto contra a lei, que um presidente peça ao director do FBI para investigar alguém e para esconder essa informação do próximo presidente. Esta reunião foi feita em janeiro de 2017, poucos dias antes de Obama sair do cargo, isso poderia significar que Obama pediu, ao director do FBI, por via de desvios verbais traiçoeiros, para investigar um opositor político e para que este lhe continuasse a enviar informação, mesmo já depois de abandonar o cargo.

O caso está longe de acabar, os desenvolvimentos seguintes irão ditar a história, mas por agora, com o email de Susan Rice, o arquivo do processo do general Flynn, o arquivo do processo com a rússia, que um ex jornalista da CNN especificamente explicou como uma farsa para ganhar audiências, e a revelação dos nomes das pessoas da administração Obama que pediram o “unmasking” do General Flynn, a coisa não parece favorável para o partido democrata.