Malefícios dos pensos descartáveis

Usamos pensos descartáveis (e tampões), em média, 5 dias a cada mês. Umas mais que outras. Estes ficam em contacto
direto com a pele da área vaginal durante horas e horas seguidas. Nesta área a pele e bastante permeável, sendo que é
altamente absorvente e tudo o que absorve está diretamente ligado à corrente sanguínea, sendo distribuído por todo o
corpo.

Estes pensos, no entanto, contém ingredientes que definitivamente não queremos perto da vagina. Causam efeitos
indesejados e detrimentais à saúde, sendo alguns diretamente relacionados a hormonas cancerígenas. Por exemplo, estes
pensos não são naturalmente brancos. Eles são branquedos com cloro para atingirem essa cor, sendo que este processo
cria dioxinas, um poluente altamente tóxico e que demora anos a desaparecer das fibras dos tecidos. As dioxinas, por sua
vez, acumulam-se em reservas de gordura no corpo, e podem permanecer no organismo até 20 anos, sendo que pode
levar a doenças pélvicas inflamatórias, disfunções hormonais, endometriose, e várias formas de cancro. Estas dioxinas
foram encontradas em França, em 2016, em marcas como a O.B. e a Tampax. A mesma investigação detetou também
herbicidas considerados como prováveis cancerígenas, por uma agência da OMS, na marca biológica Organyc, e resíduos
de pesticidas em pensos da Always.

São também usadas camadas de plástico impermeáveis para evitar os vasamentos, o que não deixa líquido nem ar passar. Isto faz com que calor e humidade se acumulem, criando um ambiente perfeito ao desenvolvimento de bactérias e fungos, queimaduras, assaduras e irritações.

Para os pensos perfumados, são usados neutralizadores de odores e fragrâncias artificiais, que contém combinações de químicos desconhecidos, que podem entrar na corrente sanguínea e causar efeitos secundários. Na superfície, são também causadores de irritações e reações alérgicas.

Em adição, foram também encontrados antimicrobiais como nanoprata e/ou prata iónica, que são causadores de destruir a lactobacillus, uma das mais importantes e benéficas bactérias para a saúde vaginal.Pesquisas indicam que a prata é um antimicrobial eficaz CONTRA a lactobacillus. Um microbioma de uma vagina saudável contém um balanço delicado de numerosas e diversas bactérias. Perturbações neste balanço podem levar ao crescimento excessivo de bactérias nocivas, resultando em vaginose bacteriana, aumento do risco de DSTs, complicações em gravideses, entre outras complicações.

No meio de tudo isto, ainda são encontrados parabenos, como em muitos outros produtos de higiene e cosméticos como é o caso de maquiagens, desodorizantes, hidratantes, loções, vernizes, óleos e loções infantis, produtos para o cabelo, perfumes, tinta para tatuagens e até mesmo cremes de barbear. Podem também ser encontrados em certos alimentos e medicações. Os parabenos interferem no sistema endócrino em humanos e animais, e é considerado um disruptor endócrino por possuir atividade estrogénica. Uma exposição prolongada ao estrogénio aumenta o risco de desenvolver cancro da mama. Parabenos mostram ser um potencial alergénico, para além da atividade estrogénica, têm uma ação uterotrófica. Isto quer dizer que podem apresentar efeitos tóxicos sobre o sistema endócrino, interferindo com a regulação hormonal e o sistema reprodutor. Estão associados a maiores riscos de alterações no ciclo menstrual, causando fluxos mais abundantes e dores mentruais mais acentuadas, na fertilidade e na predisposição a cancros de origem hormonal.

Para além de todos os malefícios à saúde das pessoas que menstruam, são também um dos grande poluentes dos oceanos e do nosso ambiente, visto causarem uma grande produção de plástico.  Em média, durante todo o período fértil, são usados cerca de 17 mil produtos de higiene descartáveis por cada pesso, sendo estes, o quinto artigo mais poluentes encontrado nos oceanos, sendo o sexto os sacos de plástico.

Para resolver estes problemas, já existem várias soluções muito mais amigas da nossa saúde vaginal, e também amiga do ambiente. Existem já pensos e tampões de algodão biológico, no entanto estes continuam a ser descartáveis.

Na minha opinião, as opções mais viáveis passam pelo copo menstrual e pelos pensos de tecido reutilizáveis. Ambos duram cerca de 6/7 anos (podem durar até aos 10 anos dependendo do uso e do desgaste), são reutilizáveis e os químicos anteriormente falados presentes. O copo é feito de silicone cirúrgico e já pode facilmente ser encontrado numa farmácia, super e hipermercados ou lojas especializadas.

Já os pensos são sensivelmente mais difíceis de encontrar em espaços físicos. No entanto muitas páginas de artesãos já os produzem, personalizados para cada cliente e com as necessidades de cada um em mente. Normalmente são feitos de 100% algodão (alguns de 95% algodão e 5% lycra) e/ou flanela, e com a camada absorvente de turco, turco impermeável, flanela, bambu, entre outros materiais. Podem ser uma junção de vários ou não.

Fontes: