A Joacine, o Livre e a “diversidade”

A esquerda tem alimentado sempre o mesmo discurso: a diversidade é
necessária, em qualquer lugar e quem não concorda com esta premissa
muito provavelmente votou no Chega. Em suma “qualquer pessoa pode
ser o que quiser, onde quiser”.

Não se pode negar que este discurso é bonito e apelativo para um
público mais novo. Os jovens gostam de ser irreverentes, de combater
as injustiças e de abolir os preceitos já estabelecidos. Porém, esta
narrativa é problemática e eventualmente as suas falhas e limitações
acabam por ser expostas.

E sinceramente, nada como esta situação do partido Livre e da doutora
Joacine Katar Moreira para o exemplificar. O Livre precisava de alguém
especial para se destacar. Apesar de ser um partido relativamente
recente, pouquíssima gente conhecia ou se dava ao trabalho de parar
para o ouvir. Até que apareceu a Doutora Joacine que trouxe toda uma
nova roupagem à imagem do partido. Lembram-se quando mencionei no
começo a questão da diversidade? A Esquerda gosta de estimular a
conversa do racismo estrutural e dos preconceitos enrustidos na
sociedade.

Tenho as minhas dúvidas que os questionamentos sobre a capacidade
da Doutora tivessem ligação com a sua cor de pele. Aliás, o facto do
partido e da própria levantarem constantemente a bandeira da etnia,
deixa bem claro para quem isso de facto é um problema.

Eu compreendo que a maioria das pessoas tenha uma visão desgastada
dos “políticos”. Ainda assim, deixem-me dizer que COMUNICAR é – ou
devia ser – a função básica de qualquer indivíduo presente no
parlamento.

Uma pessoa ter muitas habilitações numa determinada área não
significa que, por exemplo, ela seja capacitada para ensinar essa
mesma matéria. O mesmo acontece aqui. Certamente que a Doutora
Joacine tem muito conhecimento para passar e poderia fazer um
brilharete enquanto escritora. Estou certa de que muitos se
interessariam por ler as suas obras.

A questão é: a doutora tem um problema claro que afeta e muito a sua
comunicação oral e a maneira como as pessoas recebem a sua
mensagem. Não adianta ter espaço no parlamento se, na prática,
ninguém vai conseguir processar a informação.

Este ponto foi levantado inúmeras vezes durante a campanha do Livre
no ano passado. Concordo que nem sempre da maneira mais
diplomática, mas a resposta de Joacine e de Rui Tavares foi sempre a
mesma. Num primeiro momento a questão era o racismo, depois passou
a ser o machismo e sabe se lá se não inventaram também um termo
para “preconceito com pessoas gagas”.

Joacine Katar Moreira claramente não cumpre os requisitos para estar
no lugar onde se encontra. Mas isso pouco ou nada importa, uma vez
que “qualquer pessoa pode ser o que quiser, onde quiser” e caso alguém
não concorde, haverá uma infinidade de palavras acabadas em “ista”
para utilizar.