#EpsteinDidntKillHimself

Nenhuma das pessoas aqui mencionadas foi julgada e é inocente até prova do contrário.

Nada do que eu vou escrever aqui é novo. Não há qualquer “jornalismo de investigação” e todas as informações que aqui vão ler podem ser confirmadas através de uma simples pesquisa. No entanto, é do meu entender que para além dos memes que são partilhados por estas redes sociais fora, ninguém percebe muito deste assunto ou da seriedade do mesmo. O caso de Jeffrey Epstein deveria ter feito pela pedofilia aquilo que o caso de George Floyd fez pelo racismo. Não fez, mas ainda não é tarde de mais.

CARREIRA

Em primeiro lugar, vamos perceber quem era Epstein. Começou por ser professor de matemática. Passados dois anos, foi trabalhar para o Bear Stearns como assistente júnior, e rapidamente foi promovido a trader de opções e produtos financeiros complexos. Em 1981 é despedido do Bear Stearns por uma alegada violação do regulamento e cria a sua própria empresa de consultoria financeira – a International Assets Group (IAG). Na IAG, Jeffrey Epstein ajudava clientes a recuperar dinheiro roubado de corretores e advogados fraudulentos. 

Em 1988 fundou a J. Epstein & co., uma empresa de gestão de ativos. No entanto, o guru financeiro, que aí tinha 35 anos, aceitava apenas clientes com ativos no valor de, pelo menos, mil milhões de dólares. Em 1996 mudou o nome da empresa para Financial Trust Company, e em 1998 mudou a sua sede para as Ilhas Virgens Britânicas. Epstein foi também presidente da Liquid Funding Ltd. entre 2000 e 2007.

Entre 1999 e 2019, estima-se que Jeffrey Epstein tenha recebido cerca de $400m das suas empresas, entre pagamentos e dividendos. Mas de onde vem tanto dinheiro, afinal?

LESLIE WEXNER

Former Jeffrey Epstein pal Leslie Wexner steps down as CEO of ...

Na década de 80, Leslie Wexner, CEO da L Brands (dona da Victoria’s Secret) e detentor de uma fortuna avaliada em $6.7bn, torna-se amigo e cliente de Jeffrey Epstein. Segundo o próprio, numa carta escrita à sua fundação em 2019, a sua amizade deveu-se a amigos que recomendaram Epstein devido à sua mestria na arte financeira. Esta amizade/relação profissional acaba por ser alvo de muitas suspeitas.

Como já disse antes, a empresa de gestão de ativos de Jeffrey Epstein havia sido fundada em 1988, e era uma das suas principais fontes de riqueza. No entanto, havia apenas um cliente confirmado – Leslie Wexner. Epstein geria a fortuna do CEO da L Brands e, em 1991, foi-lhe dado “power of attorney” sobre os ativos de Wexner. Isto permitia que Epstein contratasse pessoas, assinasse cheques, comprasse e vendesse propriedades, emprestasse dinheiro e tratasse de qualquer assunto de natureza jurídica ou financeira em nome de Leslie Wexner. Em 1995, Epstein foi diretor da Wexner Foundation e da Wexner Heritage Foundation. Apesar de nunca ter sido empregado da L Brands, Jeffrey Epstein tinha um papel importante dentro da empresa, tendo alegadamente chegado inclusive a despedir funcionários por ordens do CEO.

Correram rumores de que Leslie Wexner não era apenas o único cliente da Financial Trust, mas sim o responsável pelo sucesso da empresa. Epstein negou, afirmando que tinha muitos outros clientes bilionários. No entanto, numa entrevista à Vanity Fair em 2003, recusou-se a divulgar a sua lista de clientes. Este tipo de secretismo é algo de incomum em gestores financeiros de topo, segundo a revista.

Em 2007, Leslie Wexner despede Jeffrey Epstein. Segundo analistas do NY Times, em 2006 a Financial Trust recebeu $66 milhões em honorários provenientes de clientes, enquanto em 2008, um ano após o despedimento, recebeu apenas… $100,000. Percebe-se através destes registos que, ao contrário do que Epstein negara, era Leslie Wexner quem “carregava a equipa” na empresa de gestão de ativos.

A relação entre os dois continha vários aspetos suspeitos. Se não chegasse o enorme poder e influência que Epstein detinha sobre as finanças e os ativos de Wexner e da L Brands, há também o facto de, em 2011 (após o despedimento, portanto), Leslie Wexner ter passado o fundo fiduciário da sua casa para nome de Jeffrey Epstein por $0, casa esta onde Epstein residia desde 1996, quando Wexner se mudou para Ohio. E não, a casa em questão não é um T2 em Moscavide. Estamos a falar de uma propriedade que Wexner adquirira em 1986, em Manhattan, pela modesta quantia de $13.6 milhões. A casa está avaliada, hoje, em $77 milhões.

Para finalizar, em 2019 Leslie Wexner acusou Epstein de desviar dinheiro das suas finanças pessoais. Nunca foi revelado quanto, no entanto, segundo o CEO, conseguiu-se recuperar uma parte dos fundos, sendo que a doação feita por Epstein em 2008 na quantia de $46 milhões para a Wexner’s YLK Charitable Fund representava uma parte dos fundos recuperados. Vá se lá saber quanto foi esse desvio, então…

Toda a relação entre os dois está envolta em muito mistério, no entanto uma coisa parece-me certa – é de Leslie Wexner que parte grande porção da fortuna do infame Jeffrey Epstein.

DONALD TRUMP

Aventuras na História · Pelo Twitter, Donald Trump retuita teoria ...

Decidi escrever um bocadinho sobre a relação entre Epstein e Trump, pela simples razão de ser preciso perceber a relação entre os dois. Sendo que pouca gente gosta do atual presidente dos EUA, cheira-me que não gostarão particularmente do que aqui escreverei.

Trump e Epstein eram, como se sabe, amigos. Numa declaração à New York Magazine em 2002, Trump diz algo que acaba por lhe sair muito caro. No entanto, ao olharmos com olhos imparciais, percebemos que algo deste género só pode ser dito por alguém que não sabe absolutamente nada sobre o que Epstein alegadamente fazia. Passo a citar: “Conheço o Jeff há 15 anos. Grande gajo. Muito divertido estar com ele. Até se diz que ele gosta tanto de mulheres bonitas como eu, e muitas delas são mais novinhas.”. Pessoalmente, parece-me muito pouco provável alguém falar assim de um pedófilo caso saiba que este é pedófilo, uma vez que parece acusar-se a si mesmo de ser pedófilo. Não deixa de ser um bom soundbyte…

Em junho de 2016, uma mulher alega ter sido violada por Trump numa festa em casa de Epstein em 1994, quando esta tinha 13 anos. Ambos negam a acusação, e os próprios jornalistas ficaram céticos quanto à veracidade da mesma. A mulher acaba por desistir do processo.

Em 2009, no caso contra Epstein (já lá vamos, meus amigos), Brad Edwards, o advogado de várias vítimas, contactou Trump. Segundo Edwards, a resposta imediata deste foi “Vamos falar! Dou-te todo o tempo que precisares. Digo-te tudo o que precisares!”. O advogado afirmou posteriormente que toda a informação dada por Trump se confirmou como verídica e foi uma enorme ajuda para o caso.

Ao longo dos anos, antes até de rebentar o escândalo, Trump tem-se tentado de distanciar de Jeffrey Epstein. Segundo o presidente norte-americano, este e Epstein tiveram uma desavença em 2004, e desde aí que, além de não falarem, não são os maiores fãs um do outro.

De facto, não há nada que faça suspeitar uma ligação de Trump aos crimes de Jeffrey Epstein. Nada, exceto Alex Acosta. Se calhar está na altura de tocar no assunto que me faz ferver o sangue só de pensar. Jeffrey Epstein não é conhecido por ser um guru financeiro, nem pela sua amizade com Donald Trump. É conhecido por ser pedófilo.

PEDOFILIA: UM ESQUEMA EM PIRÂMIDE

Para quem assistiu ao documentário da Netflix “Jeffrey Epstein: Filthy Rich”, esta parte pode ser saltada, até porque não é das coisas mais agradáveis de se ler. Quem não assistiu, aconselho vivamente, pois vai enunciar aquilo que escrevo aqui de forma mais completa e explícita. Como funcionava afinal o esquema em pirâmide de pedofilia de Jeffrey Epstein?

Os primeiros relatos de violação sexual são proferidos em 1996, por Maria Farmer. Segundo a mesma, ela e a sua irmã mais nova, Annie, terão sido violadas por Epstein.

A Maria e Annie, foi-lhes oferecida ajuda na carreira, através de viagens para melhorar o currículo no caso de Annie, ou através de trabalhos no caso de Maria. Ambas as irmãs acabaram por ser agredidas sexualmente por Epstein e a sua companheira, Ghislaine Maxwell. Segundo Maria conta no documentário da Netflix, a primeira vez que fora violada teria sido numa casa atrás da casa de Leslie Wexner. Sim, esse. Segundo a jovem, Epstein tê-la-ia posto a trabalhar nessa mesma casa e, numa visita do alegado pedófilo e da companheira, teria apalpado e tocado em partes impróprias de Maria, tanto Epstein como Ghislaine Maxwell.

Este caso fora apenas 1 em centenas, no entanto explica bem o modus operandi de Jeffrey Epstein – atrair as jovens com ajudas ou benefícios monetários, pô-las em situações vulneráveis, e, por fim, violá-las. No entanto, havia mais. Oferecendo remunerações, Epstein criou um verdadeiro esquema em pirâmide de meninas.

Segundo vários testemunhos, Ghislaine Maxwell “recrutava” jovens e levava-as para a casa de Jeffrey Epstein em Palm Beach, na promessa de uma remuneração em troca de uma massagem a Epstein. A maior parte das jovens vinha de famílias muito pobres e acabava por aceitar. Ao chegar a casa do predador, as jovens eram encaminhadas para uma sala, onde este se encontrava nu. Deitava-se na cama de massagens e, passado algum tempo a ser massajado, virava-se e incitava as jovens a ter relações sexuais com ele. Escusado será dizer que não tinham muita opção, não é…

Após o incidente, Epstein dava à jovem $200, além de uma missão: encontrar outras meninas dispostas a “massajá-lo”. Por cada jovem que trouxessem receberiam $200 extra. Muitas das testemunhas afirmam que acabavam por fazê-lo, não só pelo dinheiro, mas também pelo medo de serem assassinadas ou violadas outra vez.

Para além da sua casa em Palm Beach, outro antro predatório de Epstein era a sua ilha, Little St. James – mais conhecida como “Pedophile Island”. Esta ilha está completamente isolada nas Ilhas Virgens Britânicas, sendo que apenas é possível lá chegar de barco ou de helicóptero. Epstein contratou vários empregados para lá viver e garantir a privacidade da ilha. Segundo Steven Scully, um desses empregados, o patrão tinha mesmo instalado uma rede telefónica privada. Durante anos, Epstein levou meninas com idades que chegavam tão baixo como 12 anos, assim como vários “convidados especiais”. Mas já lá vamos.

ALEX ACOSTA E 13 MESES NA PRISÃO

Alex Acosta: Trump labour chief defends Jeffrey Epstein plea deal ...

Em julho de 2006, o FBI começou uma investigação a Jeffrey Epstein após várias alegações de violação por parte do “guru financeiro”. Em junho de 2007, essa investigação resulta numa acusação de 53 páginas – algo que poderia ter feito com que o acusado passasse o resto da vida numa prisão federal (a pena máxima para as acusações era 45 anos de prisão).

No entanto, em Outubro de 2007, após uma reunião ao pequeno almoço entre o procurador de Miami na altura, Alex Acosta, e um dos membros da equipa de elite de advogados que Epstein tinha ao seu dispor, Jay Lefkowitz, chegaram a um acordo. O acordo em causa garantia que Jeffrey Epstein fosse condenado a 18 meses de prisão, em troca de uma admissão de culpa face a duas acusações de solicitação de prostituição.

Vou fazer um parágrafo só para sublinhar isto – uma acusação de 53 páginas cuja gravidade podia garantir que Epstein ficava na prisão para o resto da vida, foi resolvida num acordo feito durante um pequeno-almoço entre os dois advogados, onde o acusado recebia de pena 18 meses na prisão.

Mas havia muito mais! Este acordo, chamado um non-prosecution agreement, fechava também a investigação do FBI sobre mais possíveis casos ou outros conspiradores envolvidos nos crimes. Aliás, o acordo garantia imunidade aos 4 cúmplices mencionados na acusação, assim como a qualquer potencial coconspirador que pudesse vir a ser descoberto. Repito: o acordo garantia que qualquer coconspirador que pudesse vir a ser descoberto teria imunidade.

Como cereja no topo do bolo, Alex Acosta concordou que o acordo seria mantido fora do alcance das vítimas. Isto é, o acordo foi selado e nenhuma das vítimas teve a possibilidade de o ler. Algo que, obviamente, se encontra proibido por lei. Para finalizar, o acordo também garantia que nem as vítimas nem o juiz teriam acesso ao número de vítimas que Jeffrey Epstein alegadamente violou.

Em 2008, Epstein lá se declara culpado de duas acusações de solicitação de prostituição, e é condenado a 18 meses de prisão. Dentro da prisão, é contado que este ficou numa ala privada da mesma e teria acesso a todas as comodidades a que tinha direito (ou não). Desde tempo ao ar livre ilimitado, refeições especiais e um televisor plasma na cela, Jeffrey Epstein passou a sua estadia na prisão melhor do que eu passo as minhas férias.

Apesar das agradáveis condições, 13 meses após a sua chegada, Epstein é libertado e fica em liberdade condicional. A seu bom modo, viola diariamente a liberdade condicional, sendo que chegou mesmo a ser fotografado a quebrar as condições da mesma. Após ser confrontado com isto, o gabinete de liberdade condicional apenas responde “O que é que querem que a gente faça? Ele é uma celebridade!”.

Em 2017, o procurador Alex Acosta é nomeado para Secretário do Trabalho pela administração Trump. Em 2019, propõe reduzir o financiamento do International Labour Affairs Bureau. Esta agência combate, entre outras coisas, o tráfico humano. Em Julho de 2019, após a detenção de Epstein, Acosta demite-se devido a críticas face ao seu papel no caso do alegado pedófilo. Como diria o camarada Arnaldo Matos…

PRINCE ANDREW

Prince Andrew was Jeffrey Epstein's 'trophy' to impress people

Em 1999, Prince Andrew e Jeffrey Epstein tornam-se amigos, através de Ghislaine Maxwell. Andrew e Epstein foram amigos durante vários anos, tendo o príncipe inclusive admitido visitar a “Pedophile Island”. Segundo o mesmo, em 2010 acabou a sua relação com Epstein, tendo os dois sido fotografados em Central Park a dar um passeio.

No entanto, em 2015, as duas personalidades voltam a ser associadas, quando o nome de Prince Andrew é mencionado num caso civil contra Epstein. Uma das mulheres que acusava Epstein, Virginia Roberts, indicou também Prince Andrew como seu agressor sexual.

Segundo a vítima, foi-lhe ordenado que desse ao príncipe “o que ele desejasse”. Roberts acusa-o de a ter violado 3 vezes entre 2001 e 2002, incluindo quando ela era menor. Os detalhes foram retirados dos registos do tribunal após um juiz decidir que eram “imateriais e impertinentes”, sendo assim irrelevantes para o caso.

Apesar disso, existe uma foto, alegadamente tirada por Epstein, de Prince Andrew e Virginia Roberts em casa de Ghislaine Maxwell (que aparece por detrás da fotografia), onde se vê o braço do príncipe na anca da vítima, estando ambos muito próximos. Este, no entanto, já veio dizer que não se lembra de tirar a foto e que “não é dele” ter demonstrações de afeto em público.

Não há quaisquer provas sólidas de que Prince Andrew tenha violado ninguém, no entanto as suas visitas à exclusiva e secreta “Pedophile Island”, juntamente com estas alegações de Virginia Roberts, deixam a suspeita no ar. Tanto o príncipe como o Palácio de Buckingham já desmentiram qualquer relação sexual, consentida ou não, entre Andrew e Roberts. Aconselho mais uma vez a que vejam o documentário da Netflix, onde este caso é bastante explorado e a jovem é inclusivamente entrevistada.

BILL CLINTON

Bill Clinton and Jeffrey Epstein: A timeline of their relationship ...

Em 2002, 2 anos após Bill Clinton abandonar a presidência dos Estados Unidos, começaram as primeiras ligações entre o ex-presidente e Jeffrey Epstein. Alegadamente, conheceram-se através da Clinton Foundation, e nesse ano Bill Clinton é fotografado no jato privado de Epstein, numa viagem a África onde a fundação distribuiu ajuda humanitária.

Numa declaração do porta-voz de Bill Clinton, este afirma que o ex-presidente fez 4 viagens com Epstein entre 2002 e 2003. No entanto, em 2015, registos de voo mostram que Clinton viajou 12 vezes no avião do alegado não-amigo. Um ano mais tarde, novos registos mostram que o 42º presidente dos EUA havia viajado no avião de Epstein 26 vezes. Não é claro quantos voos envolvia cada uma das 4 viagens que o porta-voz de Clinton referiu, mas após estes novos factos virem ao de cima, e tendo inclusive sido questionado por jornalistas, não voltou a prestar declarações sobre essas supostas 4 viagens. Nos registos de voo, há também referência de um voo interno do avião privado de Epstein, de Miami para West Harrison, NY, que fica muito perto da casa de Bill Clinton em Chappaqua.

Segundo Clinton, este nunca terá visitado a casa de Epstein em Palm Beach, nem a “Pedophile Island”. Não há nada como o timing, e eu encontro-me a escrever isto uma semana após saírem novos documentos sobre o caso Epstein. Como a maior parte deve saber, a história de Bill Clinton não combina com esses documentos.

Após a prisão de Ghislaine Maxwell, de quem falarei já a seguir, em Julho deste ano, foram reabertos mais documentos para o julgamento da ex-parceira de Epstein. Um destes documentos, de 2011, trata-se de um depoimento de Virginia Roberts, uma das vítimas de Jeffrey Epstein. De acordo com o depoimento, a jovem viu Bill Clinton na “Pedophile Island”, com mais duas miúdas. Roberts, alegadamente, terá perguntado a Epstein o que estava ali o ex-presidente a fazer, ao que este respondeu, em risos, “Bem, ele deve-me um favor.”.

Há uns dias, o porta-voz de Bill Clinton voltou a pronunciar-se, desta vez para desmentir a jovem, afirmando que “A história muda, mas os factos permanecem os mesmos. O Presidente Clinton nunca esteve na ilha.”. Será?

GHISLAINE MAXWELL

Jeffrey Epstein associate Ghislaine Maxwell transferred to New ...

Ghislaine Maxwell nasceu em 1961, filha de Robert Maxwell, o dono do Mirror Group. Mudou-se para Nova Iorque em 1991. Tendo vindo de uma família recheada de dinheiro, poder e influência, diz-se que encontrou em Epstein um substituto para esse status que vinha a desaparecer ao longo dos anos com a morte do pai.

Num depoimento em 2009, empregados domésticos testemunharam que Epstein se referia a Maxwell como a sua “principal namorada”, que também contratava, despedia, e geria a sua staff, tendo começado por volta de 1992. Após a condenação de Epstein em 2008, Ghislaine Maxwell e o (ex?) namorado deixaram de ser vistos em público juntos.

Em 2015, Virginia Roberts (sim, continua a ser a mesma) processou Maxwell por difamação por esta ter sugerido que Roberts era uma mentirosa nas acusações contra o par. A vítima acusou a companheira de Epstein de a ter recrutado como massagista para o alegado pedófilo quando esta tinha apenas 15 anos.

Finalmente, em Julho de 2020, isto é, há 1 mês, Ghislaine Maxwell foi apanhada pelo FBI, sendo que enfrenta uma acusação de 17 páginas. 4 das acusações passam por persuadir, coagir, induzir e atrair raparigas, algumas com apenas 14 anos, para viajarem de forma a fazerem parte da rede de pedofilia de Jeffrey Epstein, sendo que estas acusações indicam Bill Clinton e Prince Andrew de fazer parte dessa mesma rede. Existem dezenas de testemunhas que indicam ter sido recrutadas por Maxwell. A socialite enfrenta agora uma acusação que a pode levar a passar 35 anos na prisão. Declarou-se inocente.

O “SUICÍDIO” DE JEFFREY EPSTEIN

Epstein death draws attention to how little is known about prison ...

Chegamos à parte que é, para mim, a mais importante: o suicídio de Jeffrey Epstein.

Portanto, comecemos no início (do fim). A 6 de Julho de 2019, Epstein é detido devido a múltiplas acusações, incluindo tráfico sexual, que lhe poderiam valer até 45 anos na prisão. O infame alegado pedófilo foi levado para o Metropolitan Correctional Center. A 18 de Julho foi-lhe negada fiança, devido ao facto de Epstein ter feito 20 viagens internacionais nos últimos 18 meses.

A 23 de Julho, Epstein foi encontrado semiconsciente na sua cela com lesões no pescoço. Segundo o acusado, teria sido atacado pelo seu colega de cela, Nicholas Tartaglione. Tartaglione não só negou ter atacado o colega de cela, como alega tê-lo salvo. Devido a este incidente, Epstein foi posto em “suicide watch”. Fontes reportaram que este fora retirado desse “suicide watch”, 6 dias depois, devido a um exame psiquiátrico que indicava que Epstein não representava um perigo para si mesmo.

A 8 de Agosto, Epstein assinou o seu testamento, deixando dois empregados de longa data como executores, e deu imediatamente todos os seus fundos e ativos a um fundo fiduciário.

A 9 de Agosto, o colega de cela de Epstein foi transferido e nenhum substituto foi trazido.

A 10 de Agosto, às 6:30 da manhã, enquanto os guardas distribuíam o pequeno-almoço, Epstein foi encontrado ajoelhado no chão, com um lençol à volta do pescoço, morto.

Ainda hoje, oficialmente, a sua morte está registada como um suicídio. No entanto, como se a conveniência, o facto de ter sido examinado psiquiatricamente 2 semanas antes, e o timing não fossem claros alertas para que a morte de Epstein não se tratava de um simples suicídio, falemos também um bocadinho das condições da sua morte.

Jeffrey Epstein encontrava-se no Metropolitan Correctional Center, uma das prisões mais seguras do país, que “hospedou” vários criminosos notáveis como membros da Al-Qaeda e El Chapo. Durante a noite, o recluso era suposto ser verificado a cada 30 minutos – não aconteceu. Os dois guardas que o vigiavam, coincidentemente, adormeceram durante 3 horas, tendo estado a dormir quando Epstein “se suicidou”. As 2 câmaras que vigiavam a cela de Epstein não estavam, coincidentemente também, a funcionar nessa noite.

Vou resumir: na noite em que Epstein “se suicidou”, os guardas adormeceram e as câmaras deixaram de funcionar. Isto num dos centros prisionais mais seguros dos Estados Unidos da América.

No entanto, tudo isto é circunstancial e não pode servir para provar nada, embora qualquer pessoa com meio neurónio consiga perceber categoricamente que, seja lá o que aconteceu, um suicídio não foi de certeza. Ainda assim, pessoalmente, não sou um grande fã de teorias da conspiração e prefiro basear as minhas ideias na ciência. Portanto, vamos lá falar de ciência.

Michael Baden, um dos médicos e patologistas forenses mais famosos do mundo, foi contratado por Mark Epstein, irmão de Jeffrey Epstein, para investigar a morte do irmão. Segundo Baden, a morte do alegado pedófilo mais provavelmente se deve a um homicídio do que a um suicídio (sim, ele diz isto). Porquê? O médico explica-o muito bem.

Em primeiro lugar, as lesões que Epstein continha condiziam com as lesões de alguém que fora vítima de estrangulação, não com as de alguém que se suicidara. Em segundo lugar, e mais importante, foram encontrados na autópsia múltiplos ossos partidos no pescoço de Epstein. De acordo com Baden, em 50 anos de examinação de cadáveres, o médico nunca havia visto os ossos fraturados como no pescoço de Epstein. Segundo ele, “O enforcamento não causa estes ossos partidos, o homicídio sim. Teve de ser aplicada imensa pressão.”.

CONCLUSÃO

Havia muitos outros pontos em que gostaria de ter tocado, que podem ir pesquisar se quiserem (o facto de na década de 80 ser um agente dos serviços secretos, as ligações à Arábia Saudita e a Israel, ou a sua envolvência com Steven Hoffenberg), no entanto quis focar mais na questão da pedofilia e das personalidades que estão, alegadamente claro, envolvidas na sua rede de pedofilia.

O homem de que aqui falei protagoniza o maior escândalo de pedofilia de sempre, que ainda está por ser concluído. Além de Bill Clinton e Prince Andrew, há muitas outras personalidades ligadas a Jeffrey Epstein. Com tudo o que se passa à volta deste caso, e espero que o meu texto tenha ao menos dado uma boa ideia da dimensão do assunto, todos os dias deveria haver notícias sobre o caso. Manifestações deveriam ser feitas pelas vítimas e contra a pedofilia. O povo, e não só o americano, devia abrir os olhos e ter noção do que isto representa. Devíamos lutar todos os dias contra a pedofilia e garantir que casos como o de Virginia Roberts ou Maria e Annie Farmer não se repetem. E devíamos lutar para que todos os responsáveis pagassem pelo que fizeram e pelas centenas de vidas que destruíram.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

https://www.businessinsider.com/how-financier-jeffrey-epstein-made-his-fortune-2019-7#epstein-resides-in-a-townhouse-in-new-york-citys-upper-east-side-bloomberg-has-valued-it-at-77-million-6

https://www.cnbc.com/2019/08/07/jeffrey-epstein-misappropriated-vast-sums-les-wexner-says.html

https://www.vanityfair.com/news/2003/03/jeffrey-epstein-200303

https://www.elle.com/culture/career-politics/a28320376/jeffrey-epstein-president-trump-connection/

https://www.theguardian.com/us-news/2019/jul/12/alex-acosta-resigns-trump-jeffrey-epstein-plea-deal-latest-news

https://www.miamiherald.com/news/local/article220097825.html

https://www.townandcountrymag.com/society/money-and-power/a28339290/royal-family-prince-andrew-jeffrey-epstein-relationship/

https://www.bbc.com/news/uk-49411215

https://www.jn.pt/mundo/ghislaine-maxwell-ex-namorada-de-epstein-declara-se-inocente-da-acusacao-de-trafico-sexual-de-menores-12423423.html

https://www.bbc.com/news/world-us-canada-49306032

https://www.independent.co.uk/news/world/americas/jeffrey-epstein-death-murder-suicide-michael-baden-trump-clinton-a9177816.html