Liberdade Gera Responsabilidade

É básica a noção de que todos nós aprendemos com os erros. Quer seja com os nossos próprios erros ou com os dos outros. Assim têm evoluído as sociedades, daí ser tão importante olharmos para o passado com os olhos no futuro.

Nesta linha de pensamento, acredito que cada indivíduo deva ter a sua liberdade individual para fazer o que quiser com o seu corpo assim que atingir a maioridade. 

Imaginemos o caso da laqueação das trompas. Porque é que uma mulher, que afirma não querer nunca ser mãe, é obrigada a sujeitar-se a tratamentos hormonais (porque a laqueação só é feita depois do segundo filho), quando pode simplesmente laquear as trompas e viver o resto da sua vida descansada? A resposta óbvia a isto seria algo como “porque pode arrepender-se no futuro”. Certo, a maioria das pessoas terá esse ponto de vista.

Mas isso deveria ser uma escolha individual. Se a mulher se arrepender, vai ter de acarretar com as consequências das suas ações, assim como todos nós o fazemos com as pequenas escolhas do dia a dia. As pessoas deviam ser mais cientes dessas consequências, ser responsáveis das suas ações. 

Penso que um dos grandes problemas de não vivermos numa sociedade não tão liberal nestes aspectos, é que os jovens não se responsabilizam pelas suas decisões, para além de não pensarem no amanhã, criando uma geração mimada e incapaz de tomar decisões que podem impactar o seu futuro.

Quando temos liberdade para tomar as nossas decisões sem termos que nos reger pelas morais de outrem, temos espaço para errar e consequentemente aprender com esses erros, incentivando uma cultura de responsabilidade. 

O que vai acontecer é que durante os primeiros tempos vão haver mais irresponsabilidades porque os jovens não estão habituados a pensar em decisões com consequências de longo prazo. No entanto, os que vierem a seguir vão aprender com os erros dos que vieram antes, e vão ter mais responsabilidade sobre as decisões que tomam com o seu corpo.

Por exemplo, se o limite legal de velocidade fosse aumentado, ao início iriam haver mais acidentes, mas iria criar condutores mais responsáveis a longo prazo.

Por isso, creio que a partir dos 18 anos, cada indivíduo deveria tomar as decisões sobre o seu próprio corpo, e o sistema deveria ser mais liberal neste aspeto. Quer seja a nível de fazer tatuagens/piercings, ou intervenções como laqueação/vasectomia, abortos, mudanças de género, etc, pois as pessoas iriam começar a tomar este tipo de decisões com muito mais responsabilidade e cabeça, do que do dia para a noite, como hoje acontece, sem pensarem no dia de amanhã.