Solidão – Análise aos Hikikomori, Incels e o machismo escondido no feminismo

O termo “Hikikomori” designa o indivíduo que evita contacto social. Este termo é mais utilizado no continente asiático, sendo que “nós” ocidentais utilizamos mais os termos “NEET” e “Incel”, muitas vezes com malícia ou como uma arma política para ridicularizar o nosso adversário.

Os “Hikikomori” são maioritariamente jovens adultos que vivem em isolamento e “desistem” da vida, seja por não se conseguirem relacionar com alguém, seja por não se conseguirem encaixar na sociedade (os standards da mesma). Este grupo é predominante no Japão devido aos seus standards irrealistas onde um homem deve trabalhar trabalhar e trabalhar, casar e ter filhos, tudo isso enquanto mantém uma cara feliz.

Os “Incels” são celibatos involuntários (ou para pessoas que têm mais que fazer do que aprender gírias da internet: Virgens que não conseguem encontrar alguém para foder). Embora nem todo o Hikikomori seja um Incel nem todo o Incel seja um Hikikomori geralmente ambos partilham um sentimento de solidão e outras coisas tal como:

Ser vítima de bullying no passado

O que leva muitos jovens a tornarem-se hikikomori e muitos incels a acreditar que nunca irão encontrar alguém é o bullying, maior parte das vezes durante a infância e a puberdade e durante a vida adulta a predominância de um sentimento de exclusão, de alienação que acaba por evoluir para um sentimento de solidão que dá origem à pergunta “Será que vale mesmo a pena?”. Na sua infância e adolescência, os agora hikikomori e incels sofriam bullying devido à sua aparência ou falta de empenho e capacidades, seja isso por falta de motivação ou por alguma deficiência mental que pode surgir nessa idade como um défice de atenção ou até mesmo autismo.

O sentimento de estar a perder/ de ter perdido o bom de ser adolescente.

Uma característica de ser adolescente é algo que já foi retratado mil vezes em livros e filmes para adolescentes: viver o “amor adolescente

Esta é provavelmente a fase onde os hikikomori e os Incels mais sofrem pois enquanto os seus colegas e amigos vivem esse amor puro e inocente que mais tarde evolui para a sua “primeira vez”, eles não têm outra escolha que não seja simplesmente andar e calar, isto é, viver e aceitar.

Ceticismo relativamente a elogios

Devido à constante onda de insultos a que os hikikomori e incels se sujeitam, é normal que os mesmos interpretem elogios como “forçados” e dados apenas por pena pois, falando por experiência própria, é muito difícil aceitar um elogio depois de vários insultos.

Perguntas e Respostas

Serão todos os hikikomori e incels machistas?

A resposta para esta pergunta é a mesma resposta para todas as generalizações: Não.

Ser hikikomori e/ou incel não é sinónimo de ser machista.

Serão todos os hikikomori e incels homens?

Embora os homens dominem ambos os grupos, não, no entanto é importante referir que pessoas (nomeadamente mulheres/ raparigas) que têm várias pessoas “atrás de si” não se encaixam no perfil de Incel.

Será uma boa higiene, cirurgia plástica e terapia a solução para o fim dos hikikomori e incels?

Esta pergunta é muito complexa. Para já uma boa higiene e uma boa saúde mental é um “MUST” para viver uma vida saudável. No que toca a cirurgia plástica, presenciei casos onde pessoas que não eram atraentes se tornaram atraentes e conseguiram sim arranjar alguém através do seu “Male-Model Look”. Isto mostra que a crença de que os looks são muito importantes numa relação é verídica e que é normal que uma pessoa que não é atraente veja o facto de que o mesmo é julgado por algo que ele não consegue controlar como frustrante. É conhecimento geral de que pessoas consideradas atraentes possuem uma vida social melhor e arranjam mais facilmente um/a namorada/o. Também vale a pena ter em consideração que um melhor e/ou novo físico pode aumentar a autoestima.

Então qual é a solução? Mandar todos os hikikomori e incels à faca?

Enquanto que no papel seja uma boa solução, o acesso à cirurgia plástica é um privilégio ao qual muitas pessoas não têm acesso e nenhum seguro a meu saber cobre. Não é só uma questão de conseguir pagar uma cirurgia plástica, é também uma questão de conseguir aguentar o peso psicológico de obter um “Novo eu”. Por isso a resposta é: Sim e não.

Quantos de nós (especialmente os hikikomori e incels) não ouviram a frase “Tens de ser homem com h grande pá, arranja alguém.”?

Esta é uma frase machista que indica que um homem só é realmente homem depois de conseguir arranjar alguém e que o seu valor é determinado pela sua capacidade de arranjar uma namorada.

É lógico assumir que uma feminista nunca iria concordar com essa afirmação e que o valor de um indivíduo deve ser determinado pela sua capacidade de atrair um parceiro amoroso.

No entanto ao longo do tempo presenciei acontecimentos que me deixaram um pouco confuso.

Eu, como usuário BASTANTE ativo do Twitter e que segue pessoas dos mais vários compassos políticos vejo várias discussões no meu feed e quando um debate se trata de feminismo é normal que feministas (sejam homens ou mulheres) mandem bocas como “Aposto que não tens uma namorada” ou “Vais ser virgem para sempre”. Isto acaba por ser uma tática machista para envergonhar qualquer homem pois transmite a ideia de que ele é inferior por não conseguir arranjar um parceiro amoroso e é um golpe baixo e contraprodutivo para quem quer esmagar o machismo. Penso que isto seja uma ideia importante de lembrar sempre que alguém diga que a solidão e o suicídio masculino têm como causa a existência da “masculinidade tóxica”.