Saiam De Casa E Votem

Há uma cena fenomenal no filme “O Lobo De Wall Street” que, para além de ser uma interpretação brilhante de Leonardo DiCaprio, nos convida à ação, é mesmo de carácter motivacional.

Nesta sequência do filme, o personagem, no lançamento de Oferta Pública de Ações de determinada empresa, tenta com o seu discurso empenhar os seus colaboradores na venda de ações.

Entre outras, há duas frases das quais recorrentemente me lembro:

  • “Peguem no telefone e comecem a ligar”; e
  • “Eu quero que vocês lidem com os vossos problemas tornando-se ricos”.

Porque é que raio estou a escrever sobre este filme quando o título não tem nada a ver? Imagino que seja a sua pergunta neste momento.

Bom, depois de ver nos últimos dias inúmeros atos de contrição por algumas pessoas que em 2016 votaram no atual ocupante do cargo na Presidência da República, e de renovados apelos de outros para se votar no mesmo ocupante, decidi começar por aqui a minha catarse, e aproveito ao mesmo tempo para convidar o leitor a fazer o mesmo.

Os atos eleitorais todos onde votei, na grande sua maioria, ocorreram no século XXI. E o que é assisti durante estes anos?

Centrando-me apenas no papel de Presidente da República, ou seja, no Comandante Supremo das Forças Armadas e a figura que representa Todos os Portugueses na projeção de Portugal no mundo.

Impávido e sereno vi um presidente a cometer um autêntico golpe de estado em 2004, outro a atuar passivamente perante uma deriva lunática de alguém que levou literalmente o país à falência, sendo que, este mesmo, não contente com isso, decidiu anular o voto de um conjunto considerável de portugueses e, com medo do que a história iria dizer sobre o seu papel como Presidente da República, permitiu em 2015 a tomada de posse de um Governo que só nos poderia levar à miséria, precisamente onde nos encontramos atualmente.

Como tal, em 2016, decidi eu próprio anular o meu voto nas urnas, com umas palavras simpáticas sobre o estado da arte da nossa nação. Por simples duas razões.

Primeira, tinha ficado provado que a figura de Presidente da República não servia para nada nos 15 anos anteriores. Segunda, nunca iria votar em alguém (os outros pura e simplesmente não eram opção) educado para ser político durante o Estado Novo.

A quem me perguntou, disse mesmo que não ia ajudar a eleger o Salazar 2.0, sendo que as recentes intervenções públicas do mesmo me fizeram lembrar desta adjetivação.

Chegámos a 2021 e preparava-me para ir cumprir o ritual de anular o meu próprio voto nas urnas quando, e aqui tenho de agradecer ao meu grande amigo Paulo, me comecei a confrontar com este ato.

Não seria o mesmo que ficar em casa? Umas palavras simpáticas sobre o estado da nação não serão a mesma coisa que me enganar e colocar a cruz fora do quadrado? Se quero contribuir para a mudança, não terei de assumir uma posição forte e votar em alguém?

Ora, esta reflexão levou-me a decidir nas últimas horas (escrevo na manhã de dia 17 de janeiro) que vou votar em Tiago Mayan Gonçalves, porque quero contribuir para a mudança e não tenho qualquer outra alternativa disponível a não ser esta.

De facto, como o próprio lembrou no debate com o incumbente, caminhamos a passos largos para ser o país mais pobre da Europa, e não, não é culpa da pandemia, é uma tendência que se tem agravado nos últimos anos. E não, não estou a ser parcial, é um facto e não preciso de um fact check para isso.

Voltando ao início do artigo, a reflexão levou-me também a pensar no filme e no convite que o personagem faz à ação no seu discurso. Dei por mim a perguntar repentinamente:

  • Queres sair de casa para anular o teu voto?
  • Tens ou não a responsabilidade de contribuir para a mudança?
  • Queres entregar a vitória a quem não tem o perfil adequado?
  • Deves ou não fazer tudo o que está ao teu alcance para alterar o situacionismo?
  • Quem é que nos pode ajudar a sair deste marasmo?

Outras perguntas me fiz, mas eram derivações das enumeradas acima. Volto a si caro (e)leitor e deixo estas adicionais:

  • Quer continuar a ser enxovalhado e tratado como uma criança?
  • Tem a ambição de ver Portugal com um nível de desenvolvimento social e económico decente?

Se a resposta for, por esta ordem, Não e Sim, então Saia De Casa E Vote No Tiago!

Revisão do texto feita por Ana Cardoso.