Software livre e de código aberto: uma visão libertária

Alguns dias atrás, entrei numa discussão no twitter, em que se debatia acerca da liberdade de expressão, onde numa tentativa falaciosa de me contra argumentar o indivíduo pegou no que tinha na biografia que dizia que apoiava “FLOSS” (Free/Libre and Open Source Software) e o argumento que deu era que não podia atacar o comunismo pois foi o comunismo que nos deu esta prenda de Software livre e de código aberto. O que eu tentarei explicar neste artigo é como essa ideologia é libertária, seja tanto de esquerda como direita, é libertário ponto.

Software Livre de código aberto é um bom exemplo de problemas resolvidos e demanda satisfeita sem o governo, e não só isso mas também sem um (grande) motivo de lucro (cai sob caridade/altruísmo). E para além disso, a quantidade de software de código aberto que existente, para mim, é espantoso, pois não só existe Software Livre, mas também existe uma concorrência significativa, muitas vezes ainda mais do que com Software Proprietário. (Pode se ver como exemplo, a página de Lista de Aplicações para Arch Linux [Em Inglês]).

Embora devamos à Microsoft o raro “privilégio” do rótulo de “comunistas”, verifica-se que estudar o Software Livre através do prisma de idéias libertárias pode ser uma maneira eficaz de obter um entendimento adequado do assunto.

Os problemas com o Windows e a Apple normalmente são que não se pode confiar muito neles em termos de privacidade. Ambos têm backdoors que dão acesso ao governo. Os problemas com um backdoor em sistemas que não consigo fechar como utilizador significa que hackers mal-intencionados têm um método para entrar no teu sistema e potencialmente monitorar ou roubar informações. Permitir que o software seja gratuito significa que ele é transparente e analisado por milhares de pessoas em todo o mundo, que estão constantemente trabalhando no software.

Vamos ver como é que podemos fazer isso. Baseei a referência a conceitos libertários que retirei do artigo da Wikipedia.

  • Liberdade Individual – Esta é fácil. As quatro liberdades do Software Livre estão implícitas nisto. Em um nível mais profundo, o direito de fazer um fork de um software, e o direito básico, que muitas vezes esquecido ou enterrado sob várias outras distinções, de escrever e desenvolver software são expressões de liberdade individual.
  • Liberdade Política – Essencialmente uma extensão da primeira liberdade descrita acima, a noção de que não podemos proibir ninguém de usar o Software Livre, independentemente de sua finalidade, corresponderia à liberdade política no mundo do software.
  • Associação voluntária – O direito fundamental de abrir um projeto online, abrir o seu repositório de código-fonte e seu desenvolvimento para qualquer outra pessoa. Ou não fazê-lo, pois o Software Livre não exige o desenvolvimento de software pela comunidade, mas se concentra apenas nas liberdades trazidas pelo código.
  • Pequenos governos – Queremos liberdade, sem burocracia e, quanto mais burocrático um projeto de Software Livre se torna, menos contribuições ele recebe.